Por Jow Oliveira Diretor de Comunicação SSPMI | Por Que Governadores, Prefeitos e Parlamentares Devem Dizer Não a Esta Proposta. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 38/2025, apresentada como a panaceia para a administração pública, está sob forte escrutínio. Longe de promover a eficiência prometida, a CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil) lança um alerta: o texto representa uma ameaça direta à autonomia federativa, esvazia o mandato de gestores e parlamentares locais e, paradoxalmente, caminha para a precarização dos serviços essenciais à população.
É imperativo que todas as autoridades políticas – de Deputados Estaduais a Vereadores, de Governadores a Prefeitos – compreendam os riscos intrínsecos que esta medida impõe ao seu próprio poder de gestão e, sobretudo, à sua conexão com a base eleitoral.
I. Ameaça à Soberania Federativa: O Poder de Gestão Local em Risco
O ponto central da crítica reside na excessiva centralização de decisões na União. A PEC 38 desfaz o pacto federativo ao concentrar em Brasília prerrogativas que, por natureza e necessidade, deveriam estar nas mãos dos Estados e Municípios.
- Autonomia Destruída: Governadores e Prefeitos perderão a capacidade de estruturar suas secretarias, definir a realização de concursos públicos e adequar planos de carreiras à realidade socioeconômica de sua região.
- Legislativo Esvaziado: O poder de Vereadores e Deputados Estaduais será significativamente reduzido. Temas vitais como organização administrativa e planos de cargos e salários – hoje sob sua alçada – seriam tolhidos por normas federais.
Como bem sintetiza João Domingos Gomes dos Santos, presidente da CSPB: “Esta proposta transforma Estados e Municípios em meros escritórios regionais de Brasília. Retira de gestores e parlamentares a ferramenta mais básica: o poder de organizar sua própria casa para servir bem sua população.”
II. ️ O Colapso da Representação: Risco Eleitoral Direto
A fragilização do poder local acarreta um desgaste político-eleitoral inevitável para os mandatários. O público não diferencia a origem da ineficiência; a cobrança recairá sobre a autoridade mais próxima: o Prefeito, o Governador e o Parlamentar local.
- Responsabilidade sem Poder: O parlamentar será obrigado a responder politicamente por políticas que não votou e sobre as quais não terá mais poder de modificação ou adaptação.
- Vínculo com a Base Rompido: A incapacidade de atender às demandas locais por melhorias na máquina pública – por ter as mãos "amarradas" pela União – fragilizará o vínculo essencial com a base eleitoral que o elegeu.
III. Escola, Hospital, Segurança: A Precarização do Serviço Essencial
A PEC 38/2025 acende um grave sinal de alerta sobre a qualidade dos serviços públicos, ao adotar medidas que precarizam o vínculo e afastam profissionais qualificados.
- Vínculos Frágeis: O texto amplia a possibilidade de vínculos temporários por até 10 anos para atividades que são, por definição, permanentes e essenciais.
- Politização em Detrimento do Mérito: A substituição gradual de concursos públicos por formas de ingresso mais flexíveis abre a porta para a troca do mérito pela indicação política – uma chaga que a Constituição de 1988 buscou combater.
- Fuga de Talentos: A redução da atratividade das carreiras públicas levará os melhores profissionais (médicos, professores, policiais, etc.) a migrarem para a iniciativa privada, onde o mérito e a estabilidade de carreira são mais valorizados.
O resultado é um cenário de escassez: falta de médicos nos postos de saúde, professores nas salas de aula e policiais nas ruas. E, novamente, a população cobrará da autoridade política local, cujas mãos estarão atadas pela norma nacional.

IV. O Caos Fiscal Anunciado para Estados em Recuperação
Para Estados já em delicada situação fiscal, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás, a proposta pode ser uma sentença de colapso.
A PEC impõe o cumprimento de metas rígidas com a União, ao mesmo tempo em que força o cumprimento de novas despesas e limitações decorrentes da própria Reforma. Esta equação financeira é insustentável e trará como consequência:
- Insegurança Jurídica: Uma gestão sob risco de judicialização permanente, minando a estabilidade administrativa.
V. Deficiências Técnicas e Constitucionais
A análise técnica revela que a PEC 38/2025 é uma proposta frágil e perigosa em sua própria concepção:
- Ausência de Estudo de Impacto: A proposta avança sem estudos orçamentários ou setoriais que justifiquem suas profundas alterações.
- Ignorância Regional: O texto não considera as vastas diferenças e peculiaridades regionais do país, buscando aplicar um modelo único onde a diversidade é a regra.
- Afronta à Constituição: Há o risco real de violação de cláusulas pétreas, como a fundamental autonomia federativa.
- Deficiência Técnica: Está repleta de minúcias que, por sua natureza, não deveriam constar em um texto constitucional, tornando-o rígido e ineficaz para o dinamismo da gestão.
“Este texto é imprestável pelo que apresenta e pelo que lhe falta. Não corrige problemas, amplia crises e compromete o futuro da gestão pública,” conclui o presidente da CSPB.
O Imperativo da Rejeição
Rejeitar a PEC 38/2025 não é defender privilégios, é defender a capacidade do gestor e do parlamentar de cumprir seu mandato. É a luta:
- Pela autonomia de Governadores, Prefeitos e Casas Legislativas.
- Pela preservação da capacidade de responder às demandas locais.
- Pela garantia de serviços essenciais de qualidade à população.
- Pelo futuro do próprio mandato executivo e parlamentar.
A CSPB convoca a todos: junte-se a esta luta. Compartilhe este alerta e o material informativo da Confederação com as autoridades políticas de seu Estado e Município.
