Por Jow Oliveira Diretor de Comunicação SSPMI | Medida, anunciada como temporária, visa estancar déficit financeiro da instituição; atendimento porta-aberta se encerrará às 19h. A partir do dia 12 de janeiro de 2026, a rotina de saúde dos itapirenses sofrerá uma alteração significativa. A Santa Casa de Misericórdia de Itapira anunciou uma readequação profunda em seus horários de funcionamento, impactando diretamente o atendimento de urgência e emergência no Pronto-Socorro, além da retaguarda materno-infantil. A decisão, embora dura, é justificada pela administração como um passo indispensável para garantir a sobrevivência financeira da instituição.
O Novo Horário: O que muda para o servidor e o cidadão
É fundamental que a população compreenda a nova dinâmica para evitar transtornos em momentos de necessidade. O modelo de "porta aberta" — onde o paciente chega e aguarda atendimento — deixará de funcionar 24 horas por dia para novos casos.
O novo esquema funcionará da seguinte maneira:
- Atendimento ao público (Porta Aberta): Exclusivamente das 07h00 às 19h00.
- Período de Transição (19h00 às 22h00): O hospital dedicar-se-á apenas à conclusão dos atendimentos já iniciados durante o dia.
- Atendimento Noturno (Após às 19h00): O Pronto-Socorro não receberá novos pacientes por demanda espontânea. O médico de retaguarda atenderá estritamente casos referenciados, ou seja, pacientes transferidos de outras instituições de saúde ou internações direcionadas.
Além disso, haverá a suspensão temporária da retaguarda materno-infantil, mantendo-se apenas os procedimentos eletivos (agendados).
A Raiz do Problema: O Desafio Financeiro
Para entender a medida, é preciso olhar para os números. A filantropia na saúde brasileira atravessa uma crise crônica, e Itapira não é uma ilha. Segundo a gestão da Santa Casa, o hospital encerrou o último exercício fiscal amargando um déficit médio mensal de R$ 272 mil.
Desde fevereiro, sob a administração da Phoenix Gestão em Saúde, houve um esforço hercúleo que reduziu o endividamento mensal em cerca de 70%. Contudo, a conta ainda não fecha. A readequação surge, portanto, não como uma escolha leviana, mas como uma estratégia de "medicina de guerra" financeira: cortar na carne temporariamente para salvar o corpo inteiro e assegurar a sustentabilidade da instituição a médio e longo prazo.
O Que Permanece Inalterado
É importante ressaltar que a Santa Casa não está fechando as portas. Serviços vitais continuam operando normalmente, garantindo o suporte à saúde municipal:
- Centro de Especialidades Médicas (CEM);
- Exames laboratoriais e de imagem;
- Internações e cirurgias;
- Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A Visão do Sindicato
Como cidadãos e servidores que dependem da rede de saúde, recebemos a notícia com a seriedade que ela exige. Entendemos a lógica matemática e administrativa, mas permanecemos vigilantes quanto ao impacto social. A promessa da gestão é de que estas medidas são temporárias e servirão de alicerce para futuras melhorias, incluindo reformas estruturais no Pronto-Socorro e nos quartos.
Esperamos que o equilíbrio financeiro seja alcançado brevemente, para que a Santa Casa possa retomar sua plenitude assistencial, honrando seu compromisso histórico de acolhimento irrestrito à nossa comunidade.
Até lá, a orientação é clara: atentem-se aos horários. Em casos de emergência noturna após o dia 12 de janeiro, o fluxo de atendimento deverá ser redirecionado conforme as orientações da rede pública municipal, para que ninguém fique desassistido.
