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Capoeira, Cultura e Comunidade: um novo capítulo de inclusão nasce em Itapira

Por Jow Oliveira – Diretor de Comunicação SSPMI

No último sábado, 12 de julho, a Praça CEU, no coração do bairro Istor Luppi em Itapira, foi palco de uma celebração vibrante de resistência, arte e transformação social. A graduação dos alunos do Projeto Irmãos de Sangue — que hoje atende gratuitamente mais de 70 crianças, adolescentes e adultos — emocionou famílias, professores e lideranças comunitárias, reafirmando o poder da capoeira como instrumento de educação, cultura e pertencimento.

De acordo com a lista de presença, mais de 200 pessoas participaram do evento, um número expressivo que mostra a força e o reconhecimento da iniciativa junto à comunidade local.

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As aulas do projeto acontecem todas as terças-feiras na própria Praça CEU e têm se consolidado como um verdadeiro refúgio de disciplina, alegria e construção coletiva. Mas neste sábado a roda foi ainda mais simbólica: o dia marcou também o nascimento de uma nova entidade que promete fortalecer a atuação comunitária — a Associação Quilombo: Esporte, Cultura, Lazer e Ancestralidade de Itapira.

A associação nasce como uma organização sem fins lucrativos, com objetivos claros e generosos: “promover a prática, o ensino e a difusão da capoeira, além de atividades culturais, esportivas e educacionais que contribuam para o desenvolvimento humano e social, especialmente de crianças, jovens e adultos da comunidade local e da região.” No seu estatuto, constam ainda ações ligadas à cultura afro-brasileira, reforço escolar, sustentabilidade, música, recreação, cidadania e profissionalização, tudo com foco na inclusão e no respeito à diversidade.

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À frente da associação está o professor Daniel Anunciação Mota, que foi eleito presidente e, em suas palavras, reafirma o espírito que move esse novo quilombo urbano:

> “Essa associação nasce com um compromisso firme: promover a igualdade, combater todas as formas de exclusão e construir pontes onde o sistema insiste em erguer muros.”

E completa com a sensibilidade de quem acredita em mudanças reais:

> “Aqui, não há espaço para o preconceito. Seja ele de raça, de gênero, de orientação sexual, de condição social ou de origem. Nós acreditamos em uma sociedade onde todas as pessoas humanas, como diz nosso estatuto, possam viver com dignidade, respeito e oportunidade.”

A associação já acolhe o Projeto Irmãos de Sangue e tem em vista novos projetos, como o de defesa feminina, proposto por duas integrantes da capoeira: Susana Costa Barreto e Fabíola Alves da Silva, que sonham com espaços mais seguros e fortalecedores para mulheres em vulnerabilidade.

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O evento contou com o apoio da Secretaria de Cultura, Promoção Social e Esporte, além da importante presença do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itapira, que, mais uma vez, reafirmou seu papel social para além da luta sindical: atuando como parceiro da transformação, da cultura e da inclusão.

Itapira viveu neste sábado mais do que uma cerimônia de graduação. Viveu um marco histórico. Uma roda de capoeira se abriu — e dela nasceram vozes, corpos, ideias e caminhos que apontam para um futuro mais justo, coletivo e enraizado na ancestralidade. Porque onde há capoeira, há resistência. E onde há união, nasce um quilombo.