Por Jow Oliveira Diretor de Comunicação SSPMI | Em Itapira, a presença de animais soltos nas ruas e rodovias tem se tornado uma ameaça cada vez mais grave — tanto para motoristas quanto para os próprios animais. Apesar das leis municipais que proíbem essa prática, os acidentes continuam acontecendo com frequência alarmante.
Um problema legalizado, mas negligenciado
De acordo com o Código de Posturas de Itapira (Lei Municipal nº 2.477/92), é proibida a permanência de animais soltos em vias públicas.
Quando encontrados, esses animais devem ser recolhidos pela Prefeitura, e seus donos podem ser multados.
Além disso, há um plano de ação oficial: numa reunião entre secretarias municipais, ficou estabelecido que cavalos e outros equinos flagrados em vias públicas serão apreendidos, e os responsáveis responderão pela multa, pelos custos do recolhimento e pela manutenção.
Quando o risco vira tragédia: casos reais em Itapira
1. Acidente com búfalos na SP-147
No início deste ano, três búfalos foram flagrados na pista da rodovia SP-147, trecho entre Itapira e Lindóia. Um motorista, sem tempo de frear ou desviar, atingiu os animais. Um deles morreu no local; os outros ficaram feridos. O condutor também se machucou e precisou de atendimento médico.
Esse não é um caso isolado: já houve outro acidente envolvendo um motociclista que colidiu com um búfalo no mesmo trecho da estrada.
2. Vaca na pista da vicinal Itapira–Mogi Guaçu
Em outro episódio, uma vaca entrou na pista da antiga vicinal (SPI-177/342) e foi atingida por uma Saveiro. O choque foi tão violento que o animal morreu na hora. O motorista e o passageiro, por sorte, saíram sem ferimentos graves.
3. Tragédia na SP-352: motoboy morre após atropelar cavalo
Um dos casos mais graves aconteceu recentemente: um motoboy de 29 anos perdeu a vida ao colidir com um cavalo solto na rodovia SP-352, entre Itapira e Jacutinga.
Por que isso continua acontecendo?
Falta de cercas seguras: muitos proprietários não mantêm barreiras físicas adequadas para segurar animais de grande porte, o que facilita fugas.
Fiscalização insuficiente: apesar da lei e das medidas previstas, nem sempre há ação rápida para recolher os animais soltos.
Responsabilização fraca: mesmo quando os animais são apreendidos, pode haver demora na punição ou pouca pressão para que os donos cumpram as penalidades.
Consequências graves
Os impactos vão além de danos materiais:
Perda de vidas humanas: como no caso do motoboy.
Sorimento e morte dos animais: muitos não sobrevivem ao choque ou ficam feridos gravemente.
Custos para o poder público: recolhimento, atendimento veterinário, leilão, se os donos não aparecerem.
Risco ambiental e social: especialmente quando animais silvestres ou exóticos invadem áreas urbanas.
O que pode (e deve) ser feito
1. Denúncias ativas: a população deve relatar a presença de animais soltos para a Fiscalização de Postura da Prefeitura de Itapira (por exemplo, pelo telefone/WhatsApp usado pela cidade).
2. Fiscalização mais rígida: a Prefeitura pode reforçar patrulhas ambientais, especialmente em áreas rurais ou rodovias próximas.
3. Conscientização dos donos: campanhas para alertar sobre o risco de deixar animais soltos e destacar a responsabilidade legal e cível.
4. Infraestrutura de contenção: exigir cercas reforçadas para quem cria bovinos, equinos ou outros animais grandes dentro do perímetro urbano.
5. Resgate e acolhimento: garantir que os animais recolhidos sejam bem tratados e, se possível, reintegrados ou realocados de forma responsável.
Conclusão
A circulação de animais soltos nas vias públicas de Itapira não pode mais ser tratada como mero incômodo: é uma ameaça constante à vida — de motoristas, motociclistas e dos próprios animais. Já há leis municipais, mas a implementação e a fiscalização precisam ser mais eficazes. É urgente que a Prefeitura, junto com a sociedade, fortaleça a rede de prevenção. Afinal, a seguridade viária também passa por responsabilidade animal e proteção da vida.
