A transparência na gestão pública não é apenas um dever legal, mas um termômetro da prioridade política de um governo. Na última quarta-feira (25/02), a Câmara Municipal de Itapira foi palco da audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, referente ao encerramento do exercício de 2025. Os dados, apresentados pela secretária Dra. Maria Sueli Rocha Longhi, desenham um cenário de investimentos robustos, mas que também acendem alertas sobre a sustentabilidade e a alocação de recursos em áreas sensíveis.
Investimento além do mínimo constitucional
Um dos pontos de maior destaque no relatório técnico foi o volume de recursos próprios injetados na pasta. Enquanto a Constituição Federal exige um mínimo de 15%, Itapira atingiu a marca de 21,48% no último quadrimestre de 2025, totalizando R$ 68,3 milhões aplicados.
Embora o número seja positivo e demonstre um aporte financeiro significativo, a análise qualitativa desses gastos é o que realmente importa para o cidadão e para o servidor que está na ponta do atendimento. O desafio das gestões modernas não é apenas "gastar muito", mas "gastar com eficiência".
Radiografia das despesas: O peso do funcionalismo e dos consórcios
Como era de se esperar em uma área essencialmente humana, a folha de pagamento — composta por vencimentos e vantagens fixas — representou a maior fatia do orçamento: R$ 60,8 milhões. Para o sindicato e para os trabalhadores, esse dado reafirma que a Saúde é feita por pessoas, e a valorização desses profissionais é a engrenagem que sustenta o sistema.
Outro ponto que dominou as discussões entre vereadores e representantes presentes foi o repasse ao Consórcio Intermunicipal de Saúde "08 de Abril", que somou R$ 24,3 milhões. O modelo de consórcios, embora estratégico para reduzir custos em exames e especialidades, frequentemente entra no radar de debates sobre a autonomia municipal e a agilidade nos serviços prestados à população itapirense.
Debate necessário
A audiência não se limitou à frieza das tabelas orçamentárias. Houve espaço para questionamentos sobre materiais de consumo (R$ 18,2 milhões) e contratos com pessoas jurídicas (R$ 11,2 milhões). A presença de representantes sindicais reforçou a necessidade de um olhar vigilante sobre como esses contratos externos dialogam com a estrutura de carreira dos servidores efetivos.
O relatório detalhado agora repousa na Comissão de Finanças e Orçamento da Casa. Para além das cifras, o que fica para o servidor e para a comunidade é a necessidade de acompanhar de perto se esse investimento de 21,48% está se traduzindo em condições dignas de trabalho e, consequentemente, em uma assistência à saúde que atenda aos anseios de Itapira.
